Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Carta

E surgiste. E chegaste quando eu não esperava. Acontece sempre desta forma, pois quando se espera o desespero não espera para chegar, e precipita-nos, e baralha-nos, e confunde-nos, e induz-nos ao erro.

Mas tu não foste um erro. Tu foste uma madalena, um malmequer, uma banana ou outra coisa qualquer que sem forma nem formato, sem pretensões nem intenções invadiu o castelo de muralhas vulneráveis que guardava o meu coração. Lutaste sem espadas, conquistaste sem tropas, apenas tu e o que é teu, para teu ficar o que era meu. Agora é nosso, o tu e o eu.

Se mudámos? Não mudámos: moldámos o que havia por moldar, aprendemos o que havia por aprender e construímos uma escola para aprendermos mais ainda. Em poucos meses ergueu-se mais que um império que governamos, ergueram-se sonhos e projectos que fazem sentido porque os nossos olhos alcançam os mesmos horizontes, porque a nossa compatibilidade vai muito além dos gostos por comida: é uma compatibilidade plena, real, honesta.

Porque eu preciso e tu precisas, acompanhar-te-ei a todo o lado; proteger-te-ei do perigo, da chuva, da solidão, do esquecimento. E tu quererás acompanhar-me sempre, fazer-te valer enquanto amor que és, em qualquer lado, pois que em qualquer lado chega o nosso amor.

Não existirá cansaço nem temor, porque no momento certo surgirá a palavra certa, o abraço certo, o carinho certo. E assim duraremos até ao dia em que não conseguiremos lembrar o mundo um sem o outro de tão velhos que seremos. E nessa altura, das nossas bocas cheias de rugas, e de sábio amor, sairão ainda palavras doces, abraços doces, carinhos doces. Talvez um pouco tremidos e parcos em firmeza, mas sempre doces e cheios de amor.

Espero saber dizer sempre e para sempre, a cada momento, que esse nobre sentimento não enfraquece com o passar dos anos (ao contrário dos nossos corpos), pelo contrário, fortifica-se a cada segundo que passa. Que consigas sempre acreditar na minha palavra, que sempre chegou a ti carregada de boas intenções e de verdades que precisavas ouvir. Que queiras este velho a teu lado a cada momento e em qualquer lado, como eu te quero a ti, e só a ti.

Porque eu sou um poeta, e sê-lo-ei eternamente. Porque a minha vida é um poema, e tu fazes parte dele, fazes parte da minha vida. Porque tu és o meu poema, vem ficar a meu lado, musa que escolhi com o maior cuidado, até que os nossos olhos se fechem para a eternidade.

Com amor,

Dário Guerreiro

2 expressões:

Tiago disse...

Bem Dário Sou teu fan desde que comecei a ver o MDC. Sobre esta tua veia poeta so tenho a dizer que é espectacular. Tens muito muito jeito.
Eu tambem escrevo mas comparado a ti sou um 0 a esquerda. :D
Quero te desejar os parabens por mais um trabalho espectacular como este e continua assim.

Eu sou Fân do "Môce dum Cabréste".
Abraço do Tiago Rebelo.

. disse...

Bem moçe dum cabreste, eu conheçia o teu lado engraçado de fazer comédia como vejo no MdC, mas lado poeta era-me desconheçido, mas afinal de contas estás de parabéns da minha parte, e de quem ler aquilo que escreves certamente, porque as tuas palavras podem sem dúvida alguma ser comparadas com a firmeza da música...
Muitos Parabéns, e mais uma vez estou muito surpreendida :)
Um abraço Moçe dum Cabreste ^^