Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Na estação ferroviária de Albufeira...


Alfabetizem os delinquentes!
Nota-se claramente que a intenção deste vândalo (que não tem outro nome) era escrever o seu desabafo sem erros: não deu erros na palavra «estação», nem deu erros na palavra «dos». Na palavra «chibos» trocou o 'ch' pelo 'x', mas como produzem ambas fórmulas produzem o mesmo som, até se perdoa. Agora, ao escrever a palavra «interesseiros» deixa escrito «INTERCEIROS»... Já é um pouco grave.
Deixa-me a pensar: afinal o que é um «interceiro»? Bem, será certamente um terceiro que não o é propriamente, dado o facto de ter o prefixo 'in', que lhe confere antonímia. E alguém que não é terceiro, pode ser quarto, quinto, segundo ou até mesmo primeiro, ou seja, o vândalo ao tentar perjurar espécimenes da família dos caprinos daquela localidade, acaba por elogiá-los sem querer. É por isso que eu digo: alfabetizem os delinquentes!



Este episódio fez-me também, e fujo neste post a questões mais literárias, averiguar o que raio são os 'tags'. 'Tags' são essa espécie de graffiti que não passa dum rabisco feioso que aparece em muitas paredes, cabines telefónicas, caixas da electricidade, portas das casas-de-banho públicas, em autocarros e comboios, desenhados com tubos de graxa... Isto leva-me a pensar: a missão que o 'tag' tem, na sua unicidade gráfica, é dar a conhecer, a quem o avista, que pessoa X esteve naquele local. Ora, além de os 'tags' não significarem nada para o grosso da população, estragarem o nosso património arquitectónico, figurarem nas paredes dos nossos bairros ou casas tirando-lhes a beleza original e serem comummente associados com a criminalidade, não tenho nada contra esses rabiscos.
Afinal que mal é que tem uma pessoa rabiscar com spray ou graxa cada sítio por onde passa? Os cães também o fazem, mijando e bufando em tudo quanto é canto, para marcar território, e não deixam de ser menos queridos por isso.

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