Já é Junho e, apesar de ter chovido ontem - uma chuva que a ninguém assustou derivado às semelhanças que teve com um duche quente de Outono -, um calor pouco simpático invadiu o Algarve.Na cama, já não conheço outra forma de dormir que não seja nu. Os boxers, que até há bem pouco me protegiam e aconchegavam, são agora desconfortantes, pesados e cálidas amarras que me inibem as pernas, as virilhas e o arejamento do sexo.
Deitado, a noite não assusta o bafo asfixiantemente ardente que o sol do meio-dia pusera a ferver o alcatrão. Sem qualquer lençol em cima do meu corpo, e num esforço inconsciente para afastar de mim todos os meus membros (quentes pedaços de carne que me fervem), numa posição que, de bruços, lembra a forma de um cadáver estatelado no chão - consequência de um suicídio por salto de arranha-céus - procuro resistir veementemente a micro-tentações. Pequenas comichões surgem amiúde nos meus braços, dorso e pernas, fruto do ensejo do desprendimento dos meus pêlos corporais das gotas de suor que vou libertando. Esse desprendimento do cárcere do calor faz os meus pêlos erguerem-se como molas e tal sensação causa uma pertinente, incómoda, aflitiva, e tão concentrada comichão que facilmente a associo a corajosas picadas de mosquito, o que me faz, em ímpetos de fúria, agredir-me e coçar-me como se quisesse exorcizar o tacto em mim.
Mas nunca percebi como esses bichos conseguem ter tanta coragem para me picarem enquanto estou acordado, enquanto os observo de soslaio. Mosquitos, bichos capazes de correr o risco de morrerem espalmados em mim enquanto me sugam, ou simplesmente ao tentarem fazê-lo (são animais, afinal...). Bichos de coragem, sem dúvida. Pena serem tão irritantes e inconvenientes, verdadeiras melgas! Afasto-os com uma pequena ventoinha que liberta um cheio que os desconforta e, por algumas horas, permitem-me procurar o sono em paz. Sei que eles gostam de mim tanto quanto eu gosto deles: nada. Mas aos mosquitos prende-lhes a necessidade que têm do meu sangue, espiritual néctar servido no Santo Graal. A ameaça que para eles represento não basta para procurarem um outro corpo suado e eu, que sempre defenderei afincadamente tudo o que é meu, não sei deixar de admirar estes pequenos carnívoros irritantes. É o tempo deles, e é assim a natureza.
Nossa, este hálito sufocante queima a alma, irrita as glândulas sudoríferas e põe os besouros a cantar no escaldante dourado dos descampados! Caía bem uma limonada fresca e o corpo jogado nas águas de uma praia...
Deitado, a noite não assusta o bafo asfixiantemente ardente que o sol do meio-dia pusera a ferver o alcatrão. Sem qualquer lençol em cima do meu corpo, e num esforço inconsciente para afastar de mim todos os meus membros (quentes pedaços de carne que me fervem), numa posição que, de bruços, lembra a forma de um cadáver estatelado no chão - consequência de um suicídio por salto de arranha-céus - procuro resistir veementemente a micro-tentações. Pequenas comichões surgem amiúde nos meus braços, dorso e pernas, fruto do ensejo do desprendimento dos meus pêlos corporais das gotas de suor que vou libertando. Esse desprendimento do cárcere do calor faz os meus pêlos erguerem-se como molas e tal sensação causa uma pertinente, incómoda, aflitiva, e tão concentrada comichão que facilmente a associo a corajosas picadas de mosquito, o que me faz, em ímpetos de fúria, agredir-me e coçar-me como se quisesse exorcizar o tacto em mim.
Mas nunca percebi como esses bichos conseguem ter tanta coragem para me picarem enquanto estou acordado, enquanto os observo de soslaio. Mosquitos, bichos capazes de correr o risco de morrerem espalmados em mim enquanto me sugam, ou simplesmente ao tentarem fazê-lo (são animais, afinal...). Bichos de coragem, sem dúvida. Pena serem tão irritantes e inconvenientes, verdadeiras melgas! Afasto-os com uma pequena ventoinha que liberta um cheio que os desconforta e, por algumas horas, permitem-me procurar o sono em paz. Sei que eles gostam de mim tanto quanto eu gosto deles: nada. Mas aos mosquitos prende-lhes a necessidade que têm do meu sangue, espiritual néctar servido no Santo Graal. A ameaça que para eles represento não basta para procurarem um outro corpo suado e eu, que sempre defenderei afincadamente tudo o que é meu, não sei deixar de admirar estes pequenos carnívoros irritantes. É o tempo deles, e é assim a natureza.
Nossa, este hálito sufocante queima a alma, irrita as glândulas sudoríferas e põe os besouros a cantar no escaldante dourado dos descampados! Caía bem uma limonada fresca e o corpo jogado nas águas de uma praia...
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