Esta novidade merece destaque nesta página, bem como na página da música, creio eu. Musicaram dois dos meus poemas, presentes no livro Olhares, que lancei em Junho de 2007. Tal ocasião é integrada num projecto chamado Lagoa a Cantar, da autoria de José Praia e com a colaboração dos grupos de música popular do concelhou e da Pedro Frias Band. O objectivo é dar voz e música aos poemas de poetas do concelho de Lagoa, nos quais eu, com muito orgulho, me incluo. Já ouvi as músicas, ainda que numa filmagem, em indeferido, e deixo aqui o meu muito obrigado (aos músicos e à Câmara Municipal de Lagoa, na pessoa do Dr. Joaquim Cabrita), por se terem lembrado de mim, e os meus parabéns pelo belíssimo trabalho que fizeram.Aguardo, com muita espectativa, o lançamento do CD.Leia aqui a notícia. Os poemas da minha autoria que integram este projecto são os seguintes:
Eu, Outrem
Não sou quem tu pensas que sou.
Eu não sou quem tu conheces:
Sou aquilo que não dou
Por serem versos e preces.
Não sou este humano errante
De personalidade forte,
Nem este cadáver andante
Que vivendo espera a morte,
Nem o dono deste vulto
E nem este rapaz culto
Neste minúsculo porte.
Não sou nada do que digo
Nem sou nada do que faço.
Tenho alma de mendigo
E histórias a cada passo.
Não sou sujeito educado
Nem doidices de homem lento.
Não sou ralé nem sou rei.
Eu sou guitarra de fado,
Sou cantor de sofrimento,
Pois sou o meu pensamento
E o que penso o que serei.
Não sou o que os teus olhos vêem,
Nem homem nem predicado.
Sou as palavras que lêem
Em todo o significado.
Cabtem cantigas choradas
Cantem cantigas choradas,
Chorem sem medo nenhum.
Cantem chorando caladas,
Cantem cantigas d’algum.
Chorem cantando sem fim,
Cantar o pranto faz bem.
Chorando, cantem assim,
Chorem o canto d’alguém.
Chorem cantigas da gente,
Cantar chorando é normal.
Pranto cantado não mente,
Chorar cantando é igual.
Cantem, chorem noite a fio,
Chorem o nosso pecado.
Cantem chorando com brio,
Chorem por nós, cantem fado.